25 dezembro 2024

IRUN

IRUN

Cidade da província de Guipúscoa (Gipuzkoa), País Basco (Euskal Herria), Reino de Espanha. Situa-se junto ao Rio Bidasoa, que faz a fronteira com o País Basco Norte (Ipar Euskal Herria), República Francesa.

«Uma teoria 'romana' sugere na raiz 'Iru' esconde-se o conceito de cidade ('hiri'), atribuindo a este facto que as cidades 'bascas' da época partilham hoje uma base toponímica que em nada se relaciona com a sua denominação romana: Irun (Oiasso), Iruña (Pompaelo) e Iruña de Oca (Veleia). Entre aqueles que consideram que não faria sentido chamar Cidade a uma cidade, há quem defenda 'ir' como uma variante antiga de 'ur', água. Com o sufixo locativo '-un', Irun seria um 'lugar de água', definido pelo Bidasoa, pelos seus extensos sapais e pela quantidade de rios e afluentes que condicionavam todo o território. Outros apostam em 'Villabuena' como resultado de 'Iri' e 'hun', que nos dialetos do basco navarro, disse o próprio Loidi, é usado em vez de 'on' com o significado de bom.

Há linhas de argumentação que defendem uma toponímia com origem na flora da região. Junco é traduzido hoje para o basco como 'ihi', mas existe outra versão antiga como 'yun' ou 'iyun' (donde deriva que o nome próprio Juncal diz-se Yune). A extensão desta planta na parte de sapais de Irun justifica esta tese. Há outra teoria equivalente baseada nas zonas mais secas deste território que, antes da ação humana, eram povoadas por fetos, 'ira' em basco. Daí que 'iraun' poderia ser considerado feteira.

Outros associaram-na à questão do três ('hiru' em basco), traduzindo-a alegremente como 'Trindade' ou dando ao 'n' final condição locativa: 'em três'. As explicações posteriores (de que havia três caminhos, três ilhas, três águas, três picos em Aiako Harria...) são descartadas por Loidi, recordando que "qualquer falante basco que queira dizer 'em três' nunca dirá 'irun' mas sim 'irutan'". E como aventurar-se exige mais ousadia do que justificação, acumulam-se em publicações de todos os tipos traduções de Irun como 'Ferro' (do inglês 'iron'), 'Belavista' (que se encontra num dicionário enciclopédico sem qualquer explicação), 'Vila de Fiandeiras' (por tradução direta do verbo basco 'irun'), 'Desfiladeiro' (?), 'Último' (devido a uma palavra árabe com este significado)...»

Traduzido parcial de "Irun, una palabra envuelta en brumas", por Iñigo Morondo, em:
https://www.diariovasco.com/bidasoa/201604/17/irun-palabra-envuelta-brumas-20160417013008-v.html

 

HENDAIA

HENDAIA — HENDAYE

Cidade do País Basco Norte (Ipar Euskal Herria, Pays basque), República Francesa. Situa-se junto ao Rio Bidasoa, que faz a fronteira com a Comunidade Autónoma Vasca (Euskal Autonomia Erkidegoa), Reino de Espanha.

A etimologia do nome basco Hendaia é incerta. Uma hipótese sugere que provém das palavras handi, «grande» e ibaia, «rio», portanto «grande rio», embora a ordem não corresponda com as regras da língua basca.

 

SAN-PÉDRO

SAN-PÉDRO

Cidade da Costa do Marfim (Côte d'Ivoire). É a capital da subprefeitura, departamento e região de San-Pédro e capital do distrito de Bas-Sassandra

No fim do século XV, o navegador português Soeiro da Costa foi o primeiro europeu que alcançou a região, dando-lhe o nome do santo do dia: São Pedro. O poder colonial francês e o país independente mantiveram o nome aportuguesado.

 

CÉLTIGOS

CÉLTIGOS ou CÉLTICOS ?

Oficialmente, San Xulián de Céltigos (São Julião de Céltigos) é uma paróquia no concelho de Ortigueira, no norte da Galiza.

«A forma "Céltigos" realmente é un semi-cultismo, a forma "enxebre" era Céltegos. No final do século XVI aparece atestado (a freguesia do concello de Ortigueira) como "Celtegos": "La iglesia de S. Xillao de Celtegos".» (Xose Gonzalez, https://www.facebook.com/share/p/4uVWaBvCkzJry6Qg/)

GALIZES

GALIZES — VENDA DE GALIZES

Aldeias da freguesia de Nogueira do Cravo, concelho de Oliveira do Hospital, Beira Alta, Portugal.

O nome é certamente mais uma referência a galegos ou à Galiza, por origem dos povoadores. É de notar igualmente a existência da aldeia Ribeira de Santiago nas imediações, que também poderia ser uma referência a Santiago de Compostela.

Galizes aparece documentada na Carta de Couto de Lourosa de 1132. Galizes foi uma freguesia do concelho de Nogueira do Cravo até este ser extinto em 1836.

Travels Through Portugal and Spain, During the Peninsular War, por William Graham, em 1820:

«25 de dezembro. Para Galizes, dez milhas, dia de Natal, uma estrada encantadora, mas por chover incessantemente, estávamos tão frios quanto alguma vez senti num mês de dezembro na Irlanda. A estrada é uma das melhores de Portugal; ao lado há bosques de abetos, repletos de lobos. Vimos alguns exemplos deles destruindo tudo o que fosse comestível que aparecesse em seu caminho. (...) Não havia alojamento em Galizes, por isso fomos mandados para Villa Poco [ Vila Pouca da Beira ], onde fomos alojados, parte na aldeia e parte num grande convento. Aqui passámos o dia de Natal, no meio de um conjunto de florestas, conventos, montanhas, rios, lobos, etc. O frio aqui era intenso, com uma chuva miudinha incómoda, mais penetrante que um aguaceiro forte. Jantamos uma sopa miserável, feita de carne dura como couro, e nenhuma fervura a tornaria mais macia. Conseguimos, porém, um pouco de aguardente, que serviu em parte para nos proteger do frio. (...)
No dia 3 [ de março ] chegámos todos a Galizes, um lugar pobre, e aqui conseguimos rações para quatro dias. Já era tão tarde quando chegamos que não conseguimos alojamentos e, por isso, éramos obrigados a entrar em qualquer casa que pudéssemos.»

Galizes é uma das muitas povoações em Portugal com referência a galegos ou à Galiza.

 

SANTA MARTA DE PORTUZELO

SANTA MARTA DE PORTUZELO

Freguesia do concelho de Viana do Castelo, Minho, Portugal.

«Do latim vulgar portucellus, 'passagem do curso de um rio entre duas elevações', derivado de portus, 'porto'. Também se encontra na Galiza.» (infopedia.pt)

«Há notícia desta freguesia no ano de 1136, segundo anota o Padre Avelino Jesus da Costa: per portum de Portuzelu.

Em 1258, na relação das igrejas, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, Santa Marta de Portuzelo aparece entre as pertencentes ao bispado de Tui, sob a designação de Sancta Marta.(...)

O Censual de D. Frei Baltasar Limpo (1551-1580) identifica-a, denominando-a Santa Marta de Riba de Lima, situada no termo de Viana. Dois terços da igreja eram da apresentação do mosteiro de São Romão de Neiva.» (https://www.santamartadeportuzelo.pt/freguesia/historia) 

LESBOS — ΛΕΣΒΟΣ

ΛΕΣΒΟΣ — LESBOS

Ilha na região do Egeu Setentrional (Περιφέρεια Βορείου Αιγαίου), Grécia.

A origem do nome de Lesbos é obscura, podendo significar originalmente «florestada» ou «arborizada». Em hitita era Lazpa.

Segundo a mitologia grega, o nome da ilha é uma homenagem a Lesbos, filho de Lápites, que casou com Mitilene (Μυτιλήνη), que é o nome da capital.

O termo lésbica deriva de Lesbos, por associação à poetisa Safo de Mitilene (Ψάπφω, Σαπφώ, Sappho,  630-570 a.C.), natural da ilha.

 

FEODOSIA — ФЕОДОСІЯ / ФЕОДОСИЯ

ФЕОДОСИЯ — ФЕОДОСІЯ / ТЕОДОСІЯ
KEFE — کفه — ΘΕΟΔΟΣΙΑ FEODOSIA / THEODOSIA

Cidade da Crimeia, a península na Ucrânia disputada pela Federação Russa.

A cidade foi fundada pelos gregos com o nome Θεοδοσία (Theodosía). Os genoveses chamaram-lhe Caffa. No período otomano chamou-se Kefe, assim como em língua tártara da Crimeia. O Império Russo ocupou a região no século XVIII e os russos interpretaram o antigo nome grego como Феодосия (Feodosiya). Os ucranianos chamam-lhe Феодосія (Feodosiya) ou Теодосія (Teodosiya). A maioria da população da Crimeia fala russo.

 

DÍLI

DÍLI

Capital da República Democrática de Timor-Leste.

A primeira capital colonial de Timor foi Lifau, no agora enclave de Oecusse. Em 1769, os portugueses começaram a construir a nova capital na baía de Díli.

"O étimo de Díli parece ser um cognato da palavra zili, «penhasco», em língua búnaque, uma referência à impressionante escarpa que se ergue atrás da cidade." (https://web.archive.org/web/20170214220045/http://www.anps.org.au/documents/June_2006.pdf)

 

24 dezembro 2024

CARTAGENA

CARTAGENA

Cidade da Região de Múrcia, Reino de Espanha.

A cidade foi fundada pelos cartagineses com o nome de Qart Hadasht, que significa Cidade Nova, o mesmo nome da Cartago na atual Tunísia, em África. Os romanos chamaram-lhe Carthago Nova. O nome de Cartagena deriva do acusativo latino Carthaginem, através do árabe Qartayanna.

 

BAMBERG — BAMBÄRCH

BAMBERG — BAMBÄRCH

Capital da região da Alta Francónia (Oberfranken), no estado da Baviera (Bayern), Alemanha.

A primeira menção da cidade data de 902 como Castrum Babenberch, o castelo que deu origem ao nome Babenberg usado na Idade Média e que evolui para Bamberg em alemão e Bambärch no dialeto francónio oriental da região. Bamberg é também a origem da dinastia dos Babenberger, também chamada Casa de Babemberga em português, que foram marqueses e duques na Áustria entre os séculos X e XIII, até à ascensão dos Habsburgo.

O componente -berg remonta ao antigo alto-alemão berg, berch, berc, «colina maior, montanha». A parte Bam- presume-se que provenha dum nome pessoal, como Babo, Bavo, Pabo ou Papo, mas o mais provável é o nome feminino Baba ou Paba.

 

DÖLLINGER / DOELLINGER / DOLLINGER

DÖLLINGER / DOELLINGER / DOLLINGER

Família alemã da Baviera, que inclui o médico e cientista Ignaz Christoph Döllinger (em cima na imagem) e o seu filho teólogo Johann Joseph Ignaz Ritter von  Döllinger (imagem inferior), ambos nascidos em Bamberg. No mapa estão assinalados lugares da Baviera com ruas em homenagem a Döllinger. A placa na imagem, Döllingerstr., é em Munique, cidade onde estão sepultados estes dois Döllinger.

Os von Döllinger, descendentes de Ignaz Christoph Döllinger, emigraram para o Brasil, Portugal, EUA e Angola, onde se encontram com pequenas diferenças na grafia do nome.

ARGANIL

ARGANIL

Vila, freguesia e concelho da Beira Litoral, Portugal.

«De origem incerta; sugere o genitivo latino Arganili. O seu parentesco com o antropónimo grego Argos, tradicionalmente aceite, não parece ter fundamento.» (infopedia.pt)

«É admissível que a vila seja de fundação romana e que este povo a tenha baptizado de cidade de Argus (ou/e, eventualmente, Argos), designação que parece relacionar-se com pequeno campos. Os árabes, quando a habitaram, ter-lhe-ão chamado Arganil, nome que se manteve. Há, no entanto, quem defenda que a povoação corresponda a Aussasia, cidade dos antigos lusitanos.»

(João Fonseca, Dicionário do Nome das Terras)

 

PIÓDÃO

PIÓDÃO

Freguesia do concelho de Arganil, Beira Litoral, Portugal.

Do latim vulgar pedonatum, 'cume rochoso'. (infopedia.pt)

Na época medieval, formou-se um pequeno povoado a que foi dado o nome de Casal Piodam. (https://aldeiashistoricasdeportugal.com/aldeia/piodao/)

Mais explicações para a etimologia:

«No Dicionário Onomástico Etimológico de José Pedro Machado, 3ª edição, Livros Horizonte 2003, somos brindados com o topónimo Piódão de pedonatu e pedona, palavra pré-latina com significado de alto rochoso. Etimológica e historicamente não se vislumbra o curso do étimo para o vocábulo do século XVI Piódam e Piódão, em frei Francisco Brandão, Piadão. Mesmo com piatum (local de expiação ou purificação) e outros étimos. Duas hipóteses, uma da Idade Antiga, outra do fim da Média, irei manter:

1. Os Lancienses Oppidani foram um povo lusitano que se associou à construção da Ponte de Alcântara, onde ficou o seu nome registado ao lado dos Egitanienses, no ano 105. É verdade que as suas pedras epigráficas não foram descobertas no Piódão. Estão recenseadas em Idanha-a-Velha (a Egitânea), apenas provando que a Opidânia não era rica e suficiente notável para os pastores mais ricos encomendarem ali as suas lápides. Opidania – Opidanum – Piodanum - Piodam.

2. O nome não está nos forais e inquirições. O Piódão medieval nasce junto da fonte dos Algares e, para administrar os sacramentos logo os Cistercienses fundaram a capela de S. Pedro. Ao ermitório, juntaram-se casas para criados, armazém e cortelhos. No início de 1484, vem frei Pedro Serrano do Monasterio de Piedra, como delegado de Cister, para reformar e reforçar os Portugueses. Piedrões chegavam ainda em 1533, uma carta dos termos da Comarca de Arganil do Instituto Geográfico de 1790 registou Piódrão, talvez por cópia de documento mais antigo. Piedrão – Piadão - Piódrão – Piódão. » (http://oacor.blogspot.com/2013/01/porque-e-fim-de-semanapiodao.html)

> Quase todas as casas no Piódão são feitas de xisto, incluindo o telhado. A superfície das ruas também é de xisto. Piódão é uma das aldeias mais interessantes de Portugal, escondida na Serra do Açor. A cor das pedras de xisto pode mudar muito com a luz.

> Almost all the houses in Piódão are made of schist, including the roof shingles. The surface of the streets is also schist. Piódão is one of the most interesting villages in Portugal, hidden in the mountains of Serra do Açor. The colour of the schist stones may change very much with the light.

 

23 dezembro 2024

BAVIERA — BAYERN

BAYERN — BAVIERA — BAVÁRIA
Freistaat Bayern — Estado Livre da Baviera

O maior estado (Land) da Alemanha, localizado no sudeste da federação. A sua capital é Munique (em bávaro Minga, em alemão München).

Segundo a teoria mais difundida, o nome do estado deriva dos antigos Bávaros (em alemão Bajuwaren; em latim Bavarii ou Baiuvarii), provavelmente em referência a povos habitantes da Boémia (Chequia), relacionados com os Boios (Boii), uma tribo celta que teria passado para as terras da atual Baviera. O topónimo é assim derivado de um suposto composto germânico *Bajowarjōz, latinizado Baiovarii.

O nome germânico do território — Bayern — era escrito principalmente com "i". A grafia com "y" intensificou-se a partir de 1825, por ordem do rei Ludwig I da Baviera, graças ao seu filelenismo.

Em português em Portugal o nome é Baviera, mas no Brasil também é usada a forma Bavária, idêntica a latim e inglês.

 

ULM

ULM Cidade do estado de Baden-Württemberg , no sul da Alemanha . Situa-se junto ao Rio Danúbio ( Donau ), no limite com o estado da Bavier...