17 junho 2026

CAIRO — القاهرة — Ⲕⲁϩⲓⲣⲏ

CAIRO — القاهرة — Ⲕⲁϩⲓⲣⲏ

Capital e maior cidade do Egipto, nas margens do Rio Nilo, a sul do delta. É também a maior cidade africana e do Mundo Árabe.

O nome árabe القاهرة (al-Qāhirah) significa «a conquistadora» ou «a vitoriosa». A forma moderna em copta é Ⲕⲁϩⲓⲣⲏ.

Nalgumas línguas o artigo árabe al- é preservado no nome: Le Caire em francês, O Cairo em galego, El Cairo em castelhano, El Caire em catalão, Il Cairo em italiano.

SANTA MARIA DA FEIRA

SANTA MARIA DA FEIRA

Cidade, freguesia e concelho do Douro Litoral, Portugal.

No tempo dos Romanos a localidade foi chamada Civitas Sanctae Mariae. Na Idade Média realizava-se perto do castelo uma feira sob a invocação da Virgem Maria. O topónimo Feira aparece pela primeira vez num documento de 1120. D. Afonso V eleva a Vila da Feira, da Terra de Santa Maria, a cabeça de condado em 1472.

A localidade chamou-se Vila da Feira até 1985, quando foi elevada a cidade, passando então a designar-se Santa Maria da Feira.

https://cm-feira.pt/en_US/web/guest/hist%C3%B3ria; https://www.jf-feira.pt/freguesias/sta-maria-feira; https://www.infopedia.pt/; FONSECA, João, Dicionário do Nome das Terras.

16 junho 2026

FERREIRA DO ZÊZERE

FERREIRA DO ZÊZERE

Vila, freguesia e concelho do Ribatejo, Portugal. Situa-se na margem direita do Rio Zêzere.(⬧)

Em 1191 D. Sancho I doou a sua herdade de Orjães a Pêro Ferreira, o que está na origem da primeira parte do topónimo. Com a elevação a vila no século XV ou XVI, a povoação teve o nome de Ferreira em Riba de Ozêzar, sendo Ozêzar o rio já assim mencionado no século XII e cujo nome evoluiu para Zêzere.(1) Uma explicação para no nome Ferreira é que deriva do latim ferraria, «mina de ferro».(2)

⬧ Explicação do topónimo Zêzere por Paulo Castro Garrido:

Zêzere – Tentativa etimológica

Segundo David Lopes as grafias mais antigas de Zêzere são Uzezar e Ozezar, David Lopes suspeita que teria sido Odzezar e que o “D” teria caído com o tempo.

A considerarmos a hipótese Odzezar teremos necessariamente de recorrer ao Árabe, pelo que poderia ser algo como Wādī Ṣarṣār (وادي صرصار).

Isto encaixa perfeitamente no quadro histórico por três razões principais:

1. A Correspondência Vocálica

Para compreender como a palavra inteira se transformou, precisamos de analisar a evolução de ambas as sílabas, uma vez que o árabe andaluz alterou profundamente tanto as consoantes como as vogais deste termo:

A Primeira Sílaba: De Ṣar- para Ze-

A Transição Consonântica (Ṣ → Z): A consoante árabe Ṣād (ص) é uma sibilante forte e enfática. No contacto com o romance galaico-português medieval, este som não existia. Os falantes nativos adaptaram-no para a sibilante alveolar sonora, que era escrita como Z (com som de "z").

A Harmonia Vocálica (a → e): O "a" breve da primeira sílaba (Ṣar) sofreu um processo de progressão ou harmonia vocálica na transição para o Português. Sob a influência do som mais aberto da sílaba seguinte, a vogal abriu caminho para um "e" mais central e fechado. Assim, o elemento Ṣar- transformou-se gradualmente em Ze-.

A Segunda Sílaba: De -ṣār para -zar (via Imāla)

O Fenómeno da Imāla: No árabe andaluz, o "ā" longo (representado pelo alif ا) sofria uma alteração fonética regional chamada imāla ("inclinação"). Isto fazia com que o som /a:/ se fechasse, assemelhando-se a um "e" (/e/ ou /ɛ/).

A Pronúncia Real no Al-Andalus: Por causa deste sotaque, a palavra clássica Ṣarṣār era pronunciada localmente como Sar-sēn ou Zar-zēr.

O Registo Medieval: Ao passarem este som para o papel, os escrivães medievais portugueses registaram essa terminação acentuada como -zar (lembrando que, no português antigo, a leitura oscilava facilmente entre o "a" e o "e" átonos). Isto deu origem às grafias arcaicas Uzezar e Ozezar, fixando definitivamente o som "e" que hoje ouvimos no final de Zêzere.

2. Validação da Teoria do "D Omitido" de David Lopes

Se a comunidade moçárabe local combinasse a palavra árabe para rio (Wādī) com Ṣarṣār, diriam Wādī Ṣarṣār. Conforme a hipótese de David Lopes:

O Wādī- transformou-se num simples prefixo dental D- ao colidir com a sibilante forte Ṣād (ص).

Isto criou a forma de transição Od-ṣarṣār (ou Odzezar).

O "d" redundante acabou por desaparecer naturalmente com o tempo, deixando Ozezar / Uzezar.

3. A Poesia Geográfica do Nome

No árabe clássico, Ṣarṣār (صرصار) significa especificamente um "fluxo barulhento, rugidor e incessante". Era frequentemente utilizado para descrever um vento violento ou um curso de água que corre com grande violência como atestam as expressões Corânicas:

Surah Al-Haqqah (69:6)

Texto em Árabe:

وأما عاد فأهلكوا بريح صرصر عاتية

Transliteração:

Wa ammā ‘Ādun fa-uhlikū bi-rīḥin ṣarṣarin ‘ātiyah.

Tradução:

"E, quanto ao povo de Ad, foi exterminado por um furioso e impetuoso furacão."

Surah Fussilat (41:16)

Texto em Árabe:

فأرسلنا عليهم ريحا صرصra في أيام نحسات لنذيقهم عذاب الخزي في الحياة الدنيا ولعذاب الآخرة أخزى وهم لا ينصرون

Transliteração:

Fa-arsalnā ‘alayhim rīḥan ṣarṣaran fī ayyāmin naḥisātin li-nudhīqahum ‘adhābal-khizyi fil-ḥayātiddunyā, wa la-‘adhābul-ākhirati akhzā wa hum lā yunṣarūn.

Tradução:

"Então, Enviamos contra eles um vento fustigante, em dias nefastos, para fazê-los experimentar o castigo da ignomínia na vida terrena. E, certamente, o castigo da Derradeira Vida é mais ignominioso, e eles não serão socorridos."

Dado que o rio Zêzere é um rio de montanha feroz e de descida rápida, que nasce nos picos mais altos da Serra da Estrela, baptizá-lo como Wādī Ṣarṣār ("O Rio de Torrente Rugidora") coincide perfeitamente com o estilo descritivo e baseado na natureza utilizado pelos geógrafos muçulmanos por toda a Península Ibérica islâmica.

4. Toponímia equivalente no Iraque:

Nahr Ṣarṣār (نهر صرصار): Um importante canal histórico que liga os rios Tigre e Eufrates, amplamente registado pelos geógrafos medievais do Califado Abássida, atestando o uso deste vocábulo exato como hidrónimo na engenharia geográfica árabe.(3)

1. https://jf-ferreiradozezere.pt/historia/; FONSECA, João, Dicionário do Nome das Terras.
2. https://www.infopedia.pt/
3. https://www.facebook.com/groups/769084824516613/permalink/1720759599349126/

15 junho 2026

WINCHESTER

WINCHESTER

Cidade do condado de HampshireInglaterra, Reino Unido, com o estatuto de cathedral city.

Para os Celtas britânicos a povoação chamar-se-ia Wentā, Uenta ou Venta, derivada de uma palavra céltica com o significado de «cidade tribal», «lugar principal», «lugar de encontro» ou «mercado». Após a conquista romana da Britânia, foi chamada em latim Venta Belgarum, «Venta dos Belgae». Em anglo-saxão ou inglês antigo tornou-se Wintanceaster, «Fortaleza Venta» ou «Castro Venta»; ceaster deriva do latim castrum. O topónimo evolui foneticamente e chegou a Winchester no inglês moderno.

A catedral, uma das maiores do norte da Europa, foi construída entre 1079 e 1532. Tem o nome completo de Cathedral Church of the Holy Trinity and of Saint Peter and Saint Paul and of Saint Swithun in Winchester.

NELAS

NELAS

Vila, freguesia e concelho da Beira Alta, Portugal. Situa-se entre os rios Dão e Mondego. Faz parte das regiões demarcadas do Vinho do Dão e do Queijo da Serra.

Em 1852 o concelho de Nelas foi formado pela junção dos concelhos de Senhorim e Canas de Senhorim.

As formas antigas do topónimo terão sido Asnelas (século XIII) e As Nelas (século XVI). Asnelas deriva do latim vulgar asinellas ou asnellas, «jumentinhas, burrinhas», ou seja o diminutivo plural de asinus

https://www.freguesias.pt/portal/toponimia_freguesia.php?cod=180903; https://www.cm-nelas.pt/visitar/o-concelho/; https://www.infopedia.pt/; FONSECA, João, Dicionário do Nome das Terras. 

14 junho 2026

GABORONE

GABORONE

Capital e maior cidade do Botswana, situada no sul do país, junto à fronteira com a África do Sul.

Gaborone foi criada em 1964. No ano seguinte a capital do então Protetorado da Bechuanalândia (Bechuanaland Protectorate) foi mudada de Mafikeng para a nova cidade. No período colonial foi chamada Gaberones, que é uma redução de Gaberone's Village.

A cidade recebeu o nome do kgosi (rei) Gaborone (1825-1931), líder do povo Batlôkwa, do grupo Tswana (Batswana), que em 1881 migrou das montanhas Magaliesberg e se estabeleceu na região. Gaborone significa literalmente o que «não fica mal» ou «não é inadequado».

Na imagem está um retrado do kgosi (rei) Gaborone, baseado em foto de início do século XX.

https://web.archive.org/web/20110807162203/http://www.botswanatourism.co.bw/assests/southern_botswana.pdf

SANTA MARTA DE PENAGUIÃO

 

SANTA MARTA DE PENAGUIÃO

Vila e concelho de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal.

Até meados do século XVIII o concelho ou julgado foi sempre referido com Pena Guião, Pennaguião ou Penaguião. Santa Marta (Santa Martha) era o lugar onde se localizava a sede do concelho, na freguesia de São Miguel de Lobrigos. A partir de 1796 o concelho passou a ser designado Santa Marta de Penaguião.

No século XIII há referências a um Castelo de Penaguião e a um Monte de Penaguião. Penaguião parece vir do português antigo pena do aguião, «penha do aquilão», sendo aquilão o vento norte, frio e agreste, derivado do latim aquilone.

Santa Marta (Marta de Betânia) é a padroeira da vila de Santa Marta de Penaguião.

Dr. Artur Vaz, https://www.cm-smpenaguiao.pt/historia/; https://www.infopedia.pt/

13 junho 2026

ILHAS COOK — KŪKI 'AIRANI — COOK ISLANDS

COOK ISLANDS — KŪKI 'AIRANI — ILHAS COOK

Arquipélago do Oceano Pacífico, constituindo um país autónomo em livre associação com a Nova Zelândia. O seu chefe de estado é o mesmo da Nova Zelândia, ou seja o monarca britânico. A capital e maior cidade é Avarua, na Ilha de Rarotonga.

O nome das ilhas é devido ao capitão e explorado inglês James Cook (1728-1779). Até à anexação pela Nova Zelândia no início do século XX, o nome Cook Islands referia-se apenas ao grupo meridional. Na língua maori das ilhas o nome é Kūki 'Āirani, ou seja um a transliteração do inglês.

O navegador português Pedro Fernandes de Queirós, ao serviço da Coroa de Castela, foi o primeiro europeu que desembarcou numa das ilhas, Rakahanga, em 1606. A presença de Fernando de Magalhães nas ilhas não é garantida.

Quanto ao nome de James Cook, é um apelido com origem no inglês antigo coc, que vem do latim cocus, «cozinheiro». Originalmente cook identificava um cozinheiro doméstico, um vendedor de carnes cozinhadas ou o dono de uma casa de pasto. (https://britishsurnames.uk/surname/cook)

OLIVEIRA DO BAIRRO

OLIVEIRA DO BAIRRO

Cidade, freguesia e concelho da Beira Litoral, Portugal. Situa-se na região da Bairrada.

No século X já existia aqui uma vila com o nome de Ulvária ou São Miguel de Ulveira, mas Oliveira do Bairro só recebeu foral manuelino em 1514 e o concelho foi criado em 1836.

O nome de Oliveira, tal como noutros topónimos, deriva de ulvária, que significa «terra funda, de lameiro, terreno alagadiço, onde há ulvas». Ulva é uma espécie de alga, mas a palavra em latim significa «junco».

A semelhança fonética entre Ulvária, Ulveira e oliveira (Olea europaea) levou à grafia do topónimo como Oliveira e à associação ao nome da árvore, como se vê no brasão municipal.

Bairro faz parte de muitos topónimos. No caso de Oliveira do Bairro a palavra bairro estará também relacionada com a região da Bairrada, onde se insere, que significa um conjunto de bairros ou povoações.

Ver também:
Bairrada.
Bairro.

https://www.infopedia.pt/, https://www.cm-olb.pt/visitar/concelho/historia, https://dicionario.priberam.org/, https://toponymytoponimia.blogspot.com/2025/01/bairro-barrio-barro.html

SANTO ANTÓNIO

SANTO ANTÓNIO

Capital da Ilha do Príncipe, Distrito de PaguéSão Tomé e Príncipe.

A cidade de Santo António foi fundada em 1502, a 13 de junho, dia de Santo António de Lisboa (ou de Pádua).

O primeiro nome da ilha foi Santo António ou Santo Antão, por ter sido descoberta pelos Portugueses no dia 17 de janeiro de 1471, que é o Dia de Santo Antão ou Santo António do Egipto. Em 1502 o nome foi mudado para Príncipe, em honra de D. Afonso, Príncipe herdeiro de Portugal (1475–1491), filho de D. João II e de D.ª Leonor.

12 junho 2026

OURICURI

OURICURI

Município do estado de Pernambuco, na Região Nordeste do Brasil. Situa-se no Sertão Pernambucano.

O nome de Ouricuri refere-se à palmeira nativa da região conhecida por vários nomes, como ouricuri ou aricuri (Syagrus coronata). Deriva do tupi urikurí, «o que dá cachos».

https://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/, aulete.com.br/index.php, https://www.infopedia.pt/

TORRE DE MONCORVO

TORRE DE MONCORVO

Vila, freguesia e concelho de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal. Situa-se no Vale da Vilariça, junto da Serra do Reboredo.

O topónimo Torre de Moncorvo tem origem em Torre e Menendo, Mendo ou Mem Corvo, Curvo ou Curvus. Este Mem Corvo, eventualmente um nobre leonês, teria sido o seu possuidor original, que mandou construir uma torre ou fortificação. Outra hipótese é que Moncorvo deriva de Mons e Curvus, que seria o nome dado pelos Romanos ao Monte do Reboredo devido à sua curva junto à vila.

A povoação foi elevada a vila e o concelho foi criado por D. Dinis, no século XIII, com origem no antigo concelho de Santa Cruz da Vilariça.

Torre deriva do latim turris, «torre». Em topónimos muitas vezes é uma antiga torre de vigia num ponto estratégico.

https://www.cm-moncorvo.pt/pages/513, https://www.infopedia.pt/, https://museudamemoriarural.pt/revistamemoriarural/index.php/revista/article/download/106/72/, https://www.solaresdeportugal.pt/pt/concelho/torre-de-moncorvo, https://www.portugalnummapa.com/torre-de-moncorvo/

WELLINGTON, Nova Zelândia

WELLINGTON

Capital e terceira maior cidade da Nova Zelândia. Situa-se no extremo sul da Ilha Norte (North Island / Te Ika-a-Māui), junto ao Estreito de Cook.

O nome de Wellington é uma homenagem a Arthur Colley Wellesley (1769-1852), o 1.º Duque de Wellington. Arthur Wellesley foi um militar e político britânico. Entre outras, destacou-se na Guerra Peninsular e na derrota de Napoleão em Waterloo.

O título de Duque de Wellington provém da cidade deste nome no condado inglês de Somerset.

O principal nome maori de Wellington é Te Whanganui-a-Tara, «Grande Porto de Tara»), referente ao porto da região (Wellington Harbour).

Ver também:
Wellington, Somerset.

11 junho 2026

WELLINGTON, Somerset

WELLINGTON

Cidade no condado de Somerset, Inglaterra, Reino Unido.

O nome da cidade foi Weolingtun ou Weolington no período anglo-saxónico (450 a 1066) e Walintone no tempo do Domesday Book (1086).

O nome deriva provavelmente de um antigo nome pessoal como Weola («riqueza» em anglo-saxónico), combinado com -ing («povo de» ou «associado a») e tūn («quinta, propriedade, povoado»). Assim o significado original de Wellington seria «propriedade de Weola», «propriedade rica» ou «povoação do povo de Weola». Outra hipótese é o significado «clareira do templo».

Arthur Colley Wellesley (1769-1852) recebeu o título de Visconde Wellington em 1809, referente  a esta cidade, onde possuía uma propriedade. Mais tarde, tornou-se o 1.º Duque de Wellington. Arthur Wellesley foi um militar e político britânico. Entre outras, destacou-se na Guerra Peninsular e na derrota de Napoleão em Waterloo.

Wellington dá nome à capital da Nova Zelândia e a diversas localidades nos países anglófonos.

Ver também:
- Wellington, Nova Zelândia.

https://www.wellingtontowncouncil.co.uk/history-of-wellington/
https://www.bootkidz.co.uk/blogs/timeline/origin-of-wellington
https://www.somersetguide.co.uk/towns/wellington

SANTO TIRSO

SANTO TIRSO

Cidade, freguesia e concelho do Douro Litoral, Portugal.

A cidade situa-se no vale do Rio Ave e chamava-se Moreira de Riba de Ave até à construção do mosteiro beneditino de Santo Tirso, no século X, dedicado ao mártir Santo Tirso de Apolónia (século III). Com o tempo o nome do mosteiro sobrepôs-se ao localidade. O couto do Mosteiro de Santo Tirso foi extinto em 1834, dando origem ao concelho.

Devido à popularidade do santo, o hagiotopónimo Santo Tirso é muito comum no Norte de Portugal, Galiza, AstúriasLeão.

(MACHADO, José Pedro, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa: Livros Horizonte, 2003.)

SANTA COMBA DÃO

SANTA COMBA DÃO

Cidade, freguesia e concelho da Beira Alta, Portugal. O concelho é atravessado pelo Rio Dão, que desagua aqui no Mondego.

O topónimo Santa Comba Dão tem origem no nome duma abadessa beneditina, Columba, que teria sido martirizada no século X e tornada santa. Com o tempo o nome foi abreviado e ficou conhecida como Santa Comba. O nome do Rio Dão tem origem na contração da locução "de Adon", sendo "adon" uma variante dialetal do céltico "Avon", «rio». Até ao século XIII Adon evoluiu para Aon ou Ão. Assim no topónimo Santa Comba Dão, tal como em Maceira Dão ou Foz Dão, a preposição "de" não aparece porque está implícita no nome Dão ("de Ão").()

No século XX Santa Comba Dão tornou-se conhecida como terra natal de António de Oliveira Salazar (1889-1970), criador do regime ditatorial do Estado Novo.

Ver também:
Rio Dão.

FONSECA, João, Dicionário do Nome das Terras, https://www.infopedia.pt/, https://cm-santacombadao.pt/menu/120/historia

NAY PYI TAW — နေပြည်တော် — NEPIEDÓ

NEPIEDÓ — နေပြည်တော် — NAY PYI TAW

Capital e terceira maior cidade da Birmânia (Myanmar). Situa-se no Território da União de Nepiedó (နေပြည်တော် ပြည်ထောင်စုနယ်မြေ).

O nome da cidade em birmanês — နေပြည်တော် (Nay Pyi Taw) — significa «morada do rei», geralmente traduzido por «capital real» ou «residência real». O nome နေပြည်တော် é oficialmente transliterado (romanizado) para Nay Pyi Taw, mas em inglês e outras línguas ocidentais é habitualmente escrito Naypyidaw. Em português a forma recomendada é Nepiedó.

A capital da Birmânia foi mudada de Rangum (Yangon, ရန်ကုန်) para Nepiedó em 2005.

10 junho 2026

ALMEIRIM, Pará

ALMEIRIM

Município do estado do Pará, na Região Norte do Brasil. Situa-se entre a margem esquerda do Rio Amazonas e a fronteira com o Suriname, ao longo da divisa ocidental do estado de Amapá.

Em 1620 os frades capuchos de Santo António fundaram, com os Tupinambás, a Aldeia do Paru. Em 1758 o povoado foi elevado à categoria de vila com a denominação de Almeirim.

Paru é também o nome do rio afluente do Amazonas que desagua em Almeirim. É o nome tupi de um peixe. Almeirim é o mesmo nome da vila portuguesa no Ribatejo.

Ver também:
Almeirim, Ribatejo, Portugal.

https://almeirim.pa.gov.br/o-municipio/historia/, https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pa/almeirim/historico, https://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/

09 junho 2026

ALPIARÇA

ALPIARÇA

Vila, freguesia e concelho do Ribatejo, Portugal. É um dos pouco municípios com uma só freguesia.

Há várias opiniões sobre o topónimo Alpiarça.

⮚ Resumo do texto de Nuno Prates na página da Câmara Municipal de Alpiarça (1):

Alpiarça, em tempos escrita Alpiaça, é um topónimo associado à origem árabe e ligado ao rio que passa junto à povoação: Rio Alpiarça, Ribeira de Ulme ou Vala de Alpiarça. Segundo José Pedro Machado, o nome deriva de peaça, precedido do artigo árabe al. Peaça vem de peia (embaraço ou impedimento), em referência às algas a jusante do rio. Baptista de Lima relaciona o topónimo com peaça, mas no sentido de correia que prende o boi à canga.

Batalha Gouveia defende a ligação a um antigo culto pagão de adoração à Lua. Alpiarça resultaria da junção dos termos orientais [?] abala, «espírito santo», e arta «divina mater». Arta seria o nome duma divindade associada à fecundidade feminina. O autor relaciona ainda a palavra oriental e ibérica arta «ordem», ligando-a à expressão grega eutakis [eútaktos], «boa ordem», que teria evoluído para estaquios [Eustáchios] em latim, ligando-se ao padroeiro da vila, Santo Eustáquio.

⮚ Resumo do texto na página da Junta de Freguesia de Alpiarça (2):

Alguns autores, como Eurico Henriques, referem a origem da vila no Alto do Castelo. O nome de Alpiarça resultaria da junção de Alpi e arça, com Alpi derivado do latim Alpes (ium), com o significado de «ponto mais alto», tal como a cordilheira dos Alpes, e arça, do latim arx (arcis), «cidadela» ou local de defesa em zona elevada. Assim, Alpiarça seria a «povoação do alto».

Outra teoria atribui origem árabe ao topónimo, com relevo para a existência do prefixo al. Nalguns documentos aparece a designação Alpeaça, mas as Memórias Paroquiais de 1758 indicam que a localidade «sempre conservou o nome de Alpiarça, nem há memória que tivesse outro».

⮚ Resumo do texto do Dicionário do Nome das Terras (3):

Alpiarça outrora dizia-se Alpiaça, com origem árabe, derivado do nome do rio que a atravessa, também conhecido por Vala Real ou Vala de Alpiarça e, noutras áreas, Ribeira de Ulme ou Rio Alpiaçoilo. Alguns autores relacionam o topónimo com a palavra peaça, precedida pelo artigo arábico al. Peaça provém de peia, «embaraço, impedimento», relativo às algas neste afluente do Tejo. Outra hipótese para o significo de peaça é a «correia que prende o boi à canga». Outros defendem a ligação a um antigo culto de adoração à Lua ou aos termos orientais abala, «espírito santo», e arta, «divina-mater».

⮚ Texto do Dicionário Infopédia de Toponímia (4):

«O topónimo parece vir da ribeira do mesmo nome, assim chamada pelo embaraço causado à navegação pelas algas que nela abundavam - Alpiarça viria de peaça, 'impedimento', derivado de peia, com o prefixo arábico al-, o que parece ser confirmado pela existência de um troço da ribeira chamado Alpeaçoulo (com o sufixo diminutivo arcaico -olo).»

1. https://www.cm-alpiarca.pt/concelho/historia/toponimia
2. https://jf-alpiarca.pt/index.php/a-freguesia/freguesia/historia
3. FONSECA, João, Dicionário do Nome das Terras.
4. https://www.infopedia.pt/

08 junho 2026

GUANO ISLANDS — ILHAS DE GUANO

GUANO ISLANDS — ILHAS DE GUANO

Conjunto de ilhas, rochedos ou recifes no Oceano Pacífico e no Mar das Caraíbas que foram abrangidas pela Lei das Ilhas de Guano (Guano Islands Act) dos Estados Unidos da América em 1856. A lei, que ainda está em vigor, permite que qualquer cidadão dos EUA tome posse de ilhas ou ilhéus que contenham depósitos de guano e que estejam desabitadas e fora da jurisdição de outro estado. A lei autoriza o Presidente dos Estados Unidos a usar as forças armadas para proteger os interesses dos seus cidadãos sobre estas ilhas. Com base nesta lei, os EUA passaram a controlar quase uma centena de pequenas ilhas, das quais uma dezena ainda permanece, algumas reclamadas por outros países: Baker Island, Howland Island, Jarvis Island, Johnston Atoll, Kingman Reef/Danger Rock, Midway Atoll, Navassa Island (Navasse, reclamada pelo Haiti), Bajo Nuevo Bank e Serranilla Bank (disputados pelos EUA, ColômbiaJamaica e Nicarágua; atribuído à Colômbia em 2012), Swains Island (parte da Samoa Americana; reclamada por TokelauNova Zelândia).

O guano foi muito usado no século XIX como fertilizante. É formado pela acumulação de excrementos de aves marinhas e morcegos sobre as ilhas ou rochedos. A palavra deriva do quíchua wánu, «esterco».

Parte do texto da Guano Islands Act:

«Whenever any citizen of the United States discovers a deposit of guano on any island, rock, or key, not within the lawful jurisdiction of any other Government, and not occupied by the citizens of any other Government, and takes peaceable possession thereof, and occupies the same, such island, rock, or key may, at the discretion of the president, be considered as appertaining to the United States.»

Tradução:

«Sempre que qualquer cidadão dos Estados Unidos descubra um depósito de guano em qualquer ilha, rochedo ou recife que não esteja sob a jurisdição legal de qualquer outro governo e não esteja ocupada por cidadãos de outro governo, e tome posse pacífica da mesma e a ocupe, tal ilha, rochedo ou ilhéu poderá, a critério do presidente, ser considerada como pertencente aos Estados Unidos.»

CAIRO — القاهرة — Ⲕⲁϩⲓⲣⲏ

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